Falta de estrutura já compromete 40% da produção em estados como Mato Grosso — e tende a piorar
O Brasil colheu, em 2025, mais de 300 milhões de toneladas de grãos (segundo o IBGE), mas ainda sofre com uma deficiência estrutural que impacta diretamente a rentabilidade do produtor: a falta de capacidade de armazenagem.
Segundo a Conab, o país tem hoje um déficit superior a 120 milhões de toneladas de capacidade estática, o que obriga milhares de agricultores a venderem sua safra logo após a colheita, o que muitas vezes os leva a vender por preços baixos, ditados pela sazonalidade do mercado.
O problema é grave — e tende a piorar. Segundo Thiago Guilherme Péra, coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da ESALQ/USP, se nada for feito, os efeitos serão severos nos próximos anos. “Se a gente não fizer nada, daqui 10 anos o Brasil estará mais caótico do que é hoje. Vamos ter um déficit cada vez maior de infraestrutura, tanto de armazenagem quanto de ferrovia.”, afirmou ele ao portal Notícias Agrícolas.
Esse problema estrutural atinge especialmente regiões de expansão agrícola como o Matopiba e o Centro-Oeste, onde o crescimento da produção tem superado o ritmo de investimentos em armazenagem. Além disso, boa parte dos armazéns disponíveis no Brasil está concentrada fora das fazendas, em cooperativas e empresas cerealistas, o que gera custos logísticos, filas e risco de perdas por transporte inadequado ou demora no escoamento.
O impacto vai além do preço: grãos armazenados de forma inadequada estão mais sujeitos à umidade, pragas e impurezas, o que compromete a qualidade e reduz o valor de comercialização. Em um mercado cada vez mais exigente e competitivo, a infraestrutura de pós-colheita se tornou peça-chave na rentabilidade do agronegócio.
Investindo em equipamentos de alta durabilidade e baixo custo de manutenção, a armazenagem se torna mais segura, integrada e eficiente, ajudando produtores a manterem a qualidade da safra e a ganharem autonomia na hora de vender. Porque armazenar bem é tão estratégico quanto produzir bem.



